terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

SÍNDROME DO OMBRO CONGELADO


 Introdução

Síndrome do ombro congelado ou capsulite adesiva (CA) é uma das síndromes dolorosas do ombro, que mais tem gerado controvérsias, tanto no diagnóstico como na terapêutica. Isto se deve à complexa etiologia, muitas vezes desconhecida e a semelhante clínica com outras patologias relacionadas com o ombro. 

Anatomia e Fisiopatologia

A capsula articular da articulação do ombro (glenoumeral) funciona como uma bolsa que contém o líquido articular, responsável pela nutrição da cartilagem e pela lubrificação desta articulação. A cápsula articular tem uma quantidade considerável de folga, apresentando um tecido mais frouxo que permite o ombro realizar todos os movimentos e ajuda a estabilizar esta articulação.No ombro congelado, existe uma inflamação da cápsula articular que se "enruga, enrijece", diminui de tamanho e fica mais rígida. Isto limita seriamente a capacidade do ombro se movimentar, e faz com que o ombro "congele" causando muita dor.
As alterações articulares progressivas da ocorrem em quatro estádios.
Estágio I (pré-adesivo): há reação inflamatória sinovial;
Estágio II(sinovite adesiva aguda): há sinovite proliferativa e início do colabamento das paredes dos recessos articulares e aderências da cápsula na cabeça do úmero;
Estágio III (maturação): há regressão da sinovite e franco colabamento do recesso axilar;
Estágio IV (crônico): as aderências estão maduras, retraídas e restringem fortemente os movimentos da cabeça do úmero em relação à glenóide.

Classificação

Pode ser classificado em:

Primário ou Idiopático: que contém o grupo em que ocorre a contratura capsular que aparece após mínimo ou nenhum trauma e tem um processo fibrótico intrínseco na cápsula; além disso, a etiologia é desconhecida;
Secundária: pode começar depois de uma lesão no ombro como fratura ou cirurgia, após período de imobilização (por alguma razão, imobilização de uma articulação após uma lesão parece desencadear a resposta auto-imune em algumas pessoas), estar associado a cirurgias não relacionadas com o ombro, e até mesmo após um ataque cardíaco, patologias pulmonares, diabetes e outros problemas do ombro como bursite, lesões do manguito rotator ou síndrome do impacto. A grande diversidade de condições clínicas as quais pode estar associada, justifica a controvérsia sobre a etiopatogenia.Vários estudos indicam que a natureza da lesão que provoca a retração capsuloligamentar é, ou pode ser multifatorial.

Etiologia


A Incidência da CA é de cerca de 2% na população. Principalmente, na faixa etária dos 40 a 60 anos. Mesmo apresentando uma diferença muito pequena ocorre mais no sexo feminino que o masculino, sendo o lado mais acometido o não dominante, e bilateral em 10 a 20% dos casos. Algumas patologias geram uma maior predisposição para desenvolver capsulite adesiva. Os pacientes que apresentam diabetes mellitus têm incidência de 10 a 20% e cerca de 40% são bilaterais.

Evolução Clínica

A dor, de início insidioso que se agrava rapidamente, é o primeiro sintoma da doença que progride em três fases.
Fase 1(Inflamatória / Dolorosa): aparece de maneira insidiosa, gradual, mal localizada, com perda lenta e progressiva da mobilidade passiva e ativa do ombro, e tem como sintoma principal a dor. Apresenta duração de 2 a 6 meses.
Fase 2(Rigidez): caracteriza-se pela limitação da mobilidade, principalmente rotação externa, elevação até 100 graus, com dor leve e persistente. Esta fase pode variar de 6 a 24 meses.
Fase 3(Remissão da doença / “Descongelamento”) ocorre o retorno gradual dos movimentos, de forma lenta e progressiva ao longo de meses. O período de duração desta última fase pode variar de 6 a 12 meses.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, Os exames complementares que podem ser solicitados são: radiografias simples, radiografias com contraste intra-articular (artrografia com duplo contraste ou pneumo-artrografia) e ressonância magnética com contraste intra-articular ou endovenoso. A finalidade do contraste intra-articular é distender a cápsula articular e verificar a sua retração para confirmar o diagnóstico.

Tratamento 

O tratamento  é principalmente conservador, sem necessidade de cirurgia. A maioria dos pacientes melhoram muito, mas o processo pode levar meses. O tratamento inicial é feito com antiinflamatórios com objetivo de diminuir a inflamação, aumentar a amplitude de movimento do ombro e aliviar os sintomas. Fisioterapia também é utilizada para recuperar o movimento e a função de seu ombro. Em alguns casos podemos lançar mão de bloqueios anestésicos do nervo supra-escapular, que podem ser realizados de forma seriada (semanalmente) para ajudar a reduzir a dor e permitir uma fisioterapia adequada. Se o progresso na reabilitação é lento, pode-se realizar manipulação sob anestesia, em que é realizada uma manipulação para soltar estes tecidos encurtados, ou uma liberação artroscópica em que o tecido cicatricial e algumas partes da cápsula articular são cortados para ajudar a "soltar" ombro.

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