quarta-feira, 7 de março de 2012

Síndrome Cervicobraquial (CID M53.1)

Síndrome Cervicobraquial

É uma doença do Sistema Osteomuscular e do Tecido Conjuntivo. (C1 a C7-T1). )A dor na região vertebral pode ser também chamada raquialgia ou radiculalgia. É funcional ou orgânica resultante da fadiga neuromuscular, podendo ser conseqüência de uma posição fixa e/ou devida a movimentos repetitivos dos membros superiores.

Pode ter causas orgânicas não ocupacionais, que devem ser excluídas, por exemplo:

Mecânico-degenerativas: osteoartrose uncovertebral, osteoartrose zigoapofisária, protusões do disco intervertebral, degeneração dos ligamentos amarelo e longitudinal posterior.

Inflamatórias: artrite reumatóide, espondilite anquilosante, síndrome de Reiter, espondilodiscite, artrite reumatóide juvenil.

Tumorais: primárias ou metastáticas.

Psicossomáticas e as causas fora da coluna cervical: artrose acrômio-clavicular, distúrbio da articulação têmporo-mandibular, doenças vesico-biliares, câncer broncogênico, fibromialgia, coronariopatias e hérnia de hiato.

Em relação à causalidade ocupacional da Síndrome Cervicobraquial, admitimos que são associadas a atividades que envolvem contratura estática ou imobilização por tempo prolongado de segmentos corporais como cabeça, pescoço ou ombros, tensão crônica, esforços excessivos, elevação e abdução de braços acima da altura dos ombros, empregando força, e vibrações de corpo inteiro.

Classifica-se como sendo do grupo II de Schilling = o trabalho pode ser fator de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia multicausal dessa síndrome. O trabalho pode ser considerado como concausa.

Quadro Clínico e Diagnóstico:

GRAU 1 – queixas subjetivas, sem sinais clínicos.

GRAU 2 – queixas acompanhadas de endurecimento e hipersensibilidade dolorosa do pescoço, do ombro e do braço, que nos casos mais graves inclui, também, hipertrofia e dor dos músculos afetados, alterações ao exame neurológico, parestesia, perda de força muscular, hipersensibilidade dolorosa das apófises espinhosas vertebrais e/ou dos músculos paravertebrais e/ou dos plexos nervosos.

GRAU 3 – pode surgir tremor das mãos, dor à movimentação do pescoço, ombro e extremidade superior; distúrbios funcionais da circulação periférica; dor intensa do pesçoco, ombro e extremidade superior.

GRAU 4 – quadro intenso do grau III e aqueles que evoluem diretamente do grau II para um quadro de síndrome pescoço-ombro-mão, distúrbios orgânicos como tenossinovite ou tendinite, ou para alterações do sistema nervoso autônomo, como na síndrome de Raynaud; hiperemia passiva ou perda de equilíbrio ou, ainda, que apresentam distúrbios psíquicos com ansiedade, insônia, alterações da ideação, histeria ou depressão.

GRAU 5 – pacientes que apresentam distúrbios não apenas no trabalho, mas que interferem no cotidiano.

Manifestações podem incluir dor na nuca ou na inserção superior do trapézio com irradiação para ombro, braço, antebraço e mão, geralmente com topografia radicular de C5, C6, C7 ou C8.

Podem estar associadas parestesias, sensação de peso, de choque elétrico, picada, aquecimento e resfriamento de membro superior. Desaparecimento de lordose cervical (fase aguda), contraturas musculares, dor ou formigamento, choques e limitação à movimentação da coluna cervical, principalmente extensão e lateralidade.

Manobra de Spurling:

Paciente sentado, coloca-se as duas mãos em sua cabeça, inclinando-a para o lado doente e comprimindo-a para baixo) devem ser realizados de forma cuidadosa e podem levar à reprodução de sintomas.

Exames de imagem são obrigatórios: Inicia-se com radiografias simples da coluna cervical em AP, perfil e oblíquas. Em dúvida pode-se partir para a TC ou diretamente para a RM.

Diagnóstico diferencial: hemograma completo, VHS, fosfatase alcalina, eletroforese de proteínas, cálcio, fósforo e imagenologia.

Critérios diagnósticos:

História clínica e exame físico;

História ocupacional;

Exames laboratoriais e de imagenologia.

Tratamento:

Repouso;

Analgésicos e AINE;

Colar cervical (em ligeira flexão, por 2 a 3 semanas);

Aplicação de gelo (2 a 3 vezes por dia, de 20 a 30 minutos);

Sessões de ondas curtas (15 sessões de 20 minutos por dia), seguidas de tração contínua ou intermitente;

Cessada a dor, recomenda-se exercícios para fortalecer a musculatura da nuca.

O trabalhador deve ser cuidado por equipe multiprofissional para suporte aos seus sofrimentos físico e psíquico, aos aspectos sociais e de intervenção nos ambientes de trabalho, articulando as ações assistenciais e de vigilância em saúde.

Prevenção (Síndrome Cervicobraquial relacionada ao trabalho)

Avaliar e monitorar as condições dos ambientes de trabalho, atentando para o modo como as tarefas são realizadas e, neste caso, em especial aquelas envolvendo contratura estática ou imobilização por tempo prolongado de segmentos corporais, como cabeça, pescoço ou ombros. Atentar à tensão crônica, esforços excessivos, elevação e abdução de braços acima da altura dos ombros empregando força, vibrações de corpo inteiro.

Intervenção nos Ambientes de Trabalho

Deve haver análise criteriosa e global da organização do trabalho:

-Análise ergonômica do trabalho real, da atividade, do conteúdo das tarefas, dos modos operatórios e dos postos de trabalho;

-Análise do ritmo e da intensidade do trabalho;

-Análise dos fatores mecânicos e condições físicas dos postos de trabalho;

-Análise das normas de produção, dos sistemas de turnos, dos sistemas de premiação, dos incentivos, dos fatores psicossociais individuais e das relações de trabalho entre colegas e chefias;

-Análise das medidas de proteção coletiva e individual implementadas pelas empresas;

-Análise das estratégias de defesa, individuais e coletivas, adotadas pelos trabalhadores.

Estratégias:

-Definição de estratégias que garantam a participação dos trabalhadores e a sensibilização dos níveis gerenciais para a implementação das modificações necessárias na organização do trabalho.

Exame Médico Periódico

Identificar sinais e sintomas para a detecção precoce da doença, por meio de:

-Avaliação clínica com pesquisas de sinais e sintomas, por meio de protocolo padronizado e exame físico;

-Exames complementares orientados pela exposição ocupacional;

-Informações epidemiológicas.

*Não está justificado o uso de exames de imagem (raio X e outros) nos exames pré-admissionais e periódicos. Aplicam-se somente nos casos em que é necessário firmar diagnóstico e realizar diagnóstico diferencial.

Da suspeita ou confirmação da relação da doença com o trabalho:

-Informar ao trabalhador;

-Examinar os expostos, visando a identificar outros casos;

-Notificar o caso aos sistemas de informação em saúde (epidemiológica, sanitária e/ou de saúde do trabalhador), por meio dos instrumentos próprios, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria à qual pertence o trabalhador;

-Providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social;

-Orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco;

-Articular entre os setores de assistência e vigilância e aqueles que irão realizar a reabilitação física, profissional e psicossocial. É importante o acompanhamento do retorno do trabalhador ao trabalho, na mesma atividade, com modificações ou restrições, ou para outra atividade, de modo a garantir que não haja progressão ou agravamento do quadro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário